quinta-feira, 4 de outubro de 2018

CORTELLA DEFENDE QUE NÃO EXISTE IMEDIATISMO NO APRENDIZADO


“Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar”. Foi com o trecho da canção Trem das Onze, do compositor Adorinan Barbosa, que Mário Sérgio Cortella abriu a palestra. Para um dos grandes pensadores brasileiros, a letra da música é um claro retrato do estado de vigília. “A mãe não dorme enquanto o filho não chega em casa, não chega em dedicação, não chega na saúde…”.
Segundo o filósofo, o professor desfruta do mesmo sentimento. “Ele não dorme enquanto o aluno não chega ao conhecimento”, afirma. Para Cortella, a educação de crianças e jovens precisa ser um trabalho de parceria entre a família e a escola.
Com o tema Gestão do conhecimento: um desafio necessário, a palestra, que reuniu mais de 1.500 pessoas entre pais, alunos e professores, tratou, também, da importância da humildade para continuar aprendendo sempre.  Segundo Cortella, a educação exige esforço e dedicação. “Não existe instantaneidade do conhecimento. Para escrever 37 livros, eu li 10 mil obras”, afirma. E deu outro exemplo: “Bill Gates tirou 1.590 no teste do Enem norte-americano, que valia 1.600 pontos. Ele fez quatro anos de Harvard antes de abandonar a universidade. Não era qualquer faculdade da esquina”, afirma.
Segundo o professor, esforço reduzido tem como resultado a mediocridade. “Ser medíocre é uma questão de escolha. Podendo fazer o melhor, a pessoa se contenta com o mínimo”, afirma.
Cortella acredita que a escola que trabalha a educação integral do aluno, e não apenas ensina a fazer exames de vestibular, contribui para a formação de um indivíduo mais autônomo e capaz de fazer melhores escolhas para a sua vida e para a dos outros. “O vestibular deve ser visto como referência e não dominação. A vida é uma maratona e não apenas uma prova de curta distância”, finaliza.
Filósofo e doutor em Educação, Mário Sérgio Cortella foi secretário Municipal de Educação em São Paulo, entre 1991 e 1992. Ele é autor de vários livros, como A escola e o conhecimento (Cortez); Nos labirintos da moral, com Yves de La Taille (Papirus); Não espere pelo epitáfio: provocações filosóficas (Vozes); e Qual é a tua obra? Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética (Vozes), entre outros.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O Pré-Sal e o desenho do golpe

 02/10/2018


Dos 51,83 bilhões de barris leiloados em dois anos de governo Temer, 38,8 bilhões — ou 75% — foram arrematados por multinacionais. As britânicas Shell e BP  puxam a fila
Por José Álvaro de Lima Cardoso *
Enquanto a população se concentra (ou se distrai) no processo eleitoral, o governo encaminhou, no finalzinho de setembro, a 5ª Rodada de Licitação do Pré-sal, na qual, segundo análise da FUP (Federação Única dos Petroleiros), as petrolíferas estrangeiras levam mais de 90% dos barris de petróleo leiloados. Segundo a referida análise, no leilão do dia 28 o preço médio pago por cada barril leiloado foi de R$ 0,34. Isso numa conjuntura em que o barril está sendo vendido no mercado mundial por algo em torno de US$ 75, com tendência a aumentar em função dos recentes, e cada vez mais ameaçadores, acontecimentos na geopolítica mundial. As petrolíferas estrangeiras levaram mais de 90% dos 17,39 bilhões de barris leiloados. Segundo a imprensa, os quatro blocos ofertados pela ANP (Agência Nacional de Petróleo) foram arrematados em questão de minutos. A britânica Shell e a norte-americana Chevron, participantes ativas da construção do golpe no Brasil, arremataram sozinhas o bloco de Saturno, na Bacia de Santos, que contém reservas calculadas em 8,3 bilhões de barris de petróleo. Por outro lado, a ExxonMobil (EUA), a ExxonMobil (Reino Unido), a CNOOC (China), a QPI (Catar) e a Ecopetrol (Colômbia) dividiram os outros dois blocos da Bacia de Santos (Titã e Pau Brasil). A Petrobrás teve que se limitar ao arremate do bloco de Tartaruga Verde, localizado na Bacia de Campos, e que foi o menos disputado no leilão.
Segundo dados da FUP, em dois anos de vigência do golpe, com quatro leilões realizados no Pré-sal, sob o regime de Partilha, foram leiloados um total de 51,83 bilhões de barris. Destes, 13 multinacionais já arremataram reservas equivalentes a 38,8 bilhões de barris de petróleo. Juntas, essas gigantes do petróleo concentram 75% das reservas, onde são operadoras em seis dos 14 blocos licitados. As britânicas Shell e BP conseguiram se apropriar de 13,5 bilhões de barris desses leilões, mais, inclusive, que a própria Petrobrás, que arrematou 13,03 bilhões de barris em campos leiloados nas cinco rodadas da ANP. Quem não entendeu que o petróleo está no centro do processo golpista em operação no Brasil, terá dificuldades em compreender a conjuntura econômica e política nacional por muito tempo. José Serra, segundo denúncia feita em 2013 pelo site WikiLeaks, havia prometido à Chevron, em 2010, que, se eleito presidente, iria acabar com a Lei de Partilha. Consumado o impeachment da presidenta Dilma Roussef, foi aprovado imediatamente no Senado o projeto de Serra, que tirou da Petrobrás a exclusividade na operação dos poços do Pré-sal e acabou com a obrigatoriedade da estatal ter participação mínima de 30% nos leilões, fatores fundamentais para a retenção da renda petrolífera no Brasil. Com dois anos de vigência do golpe, estão entregando o petróleo do Pré-sal a preço de banana, como até as pedras já previam. É preciso entender que os EUA, principal força no golpe no Brasil, tem uma necessidade dramática de fontes de suprimentos, na medida em que é o maior consumidor de petróleo do mundo, mas não produz em quantidade suficiente para suprir o consumo do país. Por detrás do golpe no Brasil (como ocorreu nos demais países da América Latina que sofreram processos semelhantes) há uma constatação de caráter estratégico, que é definitiva: o petróleo barato de produzir não tem nenhum substituto. Ele acabou, e o mundo já há algum tempo sofre as consequências políticas, sociais e militares deste problema. O produto extraído do pré-sal possui, além disso, alta produtividade e baixo risco de exploração, razões pelas quais, também, motivou o golpe. Este segue, assim, um roteiro criminoso, visando converter o Brasil em mero provedor de matérias-primas para o mundo desenvolvido e, ao mesmo tempo, transformar o país em importador de derivados do petróleo e de produtos industrializados em geral.
Há muitos brasileiros bem intencionados, achando que as eleições de 2018 irão “devolver o Brasil de antes”, ilusão que não encontra abrigo nos fatos. O cenário é bastante nebuloso, e não temos informações privilegiadas, mas parece evidente que quem perpetrou um golpe no resultado eleitoral de 2014 não irá entregar o poder pela via eleitoral em 2018. Isso só ocorreria se tivesse havido, no período, uma grande mudança na correlação de forças, o que, absolutamente, não aconteceu. Eles continuam cometendo as maiores barbaridades, sem uma reação à altura da população. Independentemente do resultado eleitoral (que é um processo muito controlado por eles), irão tentar completar o serviço do golpe, que passa por políticas como: apropriação dos recursos do Pré-sal que ainda não arremataram, privatização da previdência social, fim do sistema de seguridade, entrega do Aquífero Guarani para as multinacionais, venda de terras férteis, etc. É grande o risco de as eleições serem apenas um mecanismo de institucionalização do golpe, como aconteceu em Honduras e Paraguai, e/ou do próximo governo não conseguir se sustentar no poder.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

PALAVRA LIVRE — DAVIS SENA FILHO: Bolsonaro é golpismo brutal, a falta de pão e paz;...

PALAVRA LIVRE — DAVIS SENA FILHO: Bolsonaro é golpismo brutal, a falta de pão e paz;...: Por Davis Sena Filho — Palavra Livre Imagine se um candidato a presidente nos EUA, que o Bolsonaro tanto admira, fizesse um ato in...

Alguma coisa está muito errada nesta eleição

seg, 01/10/2018 - 17:06

A minha empregada doméstica é Bolsonaro!. Logo ela, que ganhou casa no programa Minha Casa Minha Vida e educou filhos com PROUNI. A igreja na qual ela frequenta direcionou o seu voto. No Sábado fomos com mi esposa ao #Elenão enquanto muitas como a minha empregada trocavam mensagens em favor do Bolsonaro nas redes. O pessoal de esquerda está consciente do programa de governo do Lula/Haddad e nutre maior simpatia pelas causas das mulheres, minorias e pobres, mas, os votos conservadores no Bolsonaro não são por nenhuma convicção política nem simpatia pela economia neoliberal, muito menos pela “classe social”, mas sim pelo conservadorismo comportamental, sexual e religioso, que tomou conta do debate.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Altamiro Borges: Mídia não sabe o que fazer com o 'Coiso'

Altamiro Borges: Mídia não sabe o que fazer com o 'Coiso'

Mourão enterra Bolsonaro ao defender fim do 13º

Alex Solnik
27 de Setembro de 2018

Em campanha no Sul do país, Mourão defendeu o fim do 13º. salário – "é uma jabuticaba" - e o pagamento de adicional de férias em palestra a empresários: "o Brasil é o único lugar do mundo onde a pessoa entra em férias e ganha mais". Bolsonaro desautorizou logo em seguida e os compromissos de seu vice foram suspensos. Ou seja, ele foi colocado na geladeira, como já tinha acontecido com Paulo Guedes quando anunciou a volta da CPMF.
Com mais essa declaração escravocrata ele pode ter enterrado de vez essa candidatura que contamina o país com cenas de ódio e violência e dissemina propostas que apontam para o aumento da pobreza, do desemprego e dos conflitos sociais.
Mas não adianta colocar Mourão na geladeira. Ele não vai deixar de pensar o que pensa. E tudo o que pensa ofende a democracia, a inteligência, o bom senso e a paz social.
Também não adianta Bolsonaro desautorizar Mourão, porque no fundo ele também pensa isso, mas não quer dizer agora para não atrapalhar sua campanha. Afinal, ele é político profissional há 30 anos e Mourão não é.
Além disso, se a chapa se eleger – Deus livre o Brasil disso – e por algum eventual acontecimento Mourão tiver que assumir o seu lugar, quem o impedirá de colocar em prática o que vem pregando?
Ao votar em Bolsonaro, o eleitor também elege Mourão e todas as ideias do Mourão.
E o vice, como se sabe, não pode mais ser trocado e não é passível de demissão depois de assumir.
À medida em que as trabalhadoras e os trabalhadores do Brasil ficarem informados de que Bolsonaro pretende acabar com suas férias e com seu 13º., suas intenções de voto deverão murchar até o dia da eleição.

Por que não? Uma bela teoria da conspiração!

Bolsonaro nunca pensou em ser presidente da República, serviria de espantalho para na última hora abrir espaço para o Alckmin, que lhe garantiria uma aposentadoria confortável em qualquer lugar do mundo.
Escolheu dois outros vice-presidentes que não o incomodariam, porém os dois não toparam. Como última opção surge um general, este sim um nazista puro, que canta músicas da SS alemã.
Quando o General se dá conta (ou mesmo sabia a priori) que a candidatura seria uma farsa, surge do nada um sujeito que parece “meio desequilibrado”, mas já foi açougueiro e sushi-man, ou seja, alguém com habilidade de manejar facas.
O desequilibrado faz um atentado que quase leva a morte o candidato, e apesar de Bolsonaro estar cercado de guarda costas bombados, não recebe nem um soco na cara depois de fazer um atentado, pois teve a proteção de dentro do círculo interno do candidato.
O candidato e seus bolsofilhos, descobrem a trama e praticamente Bolsonaro abre mão da campanha, pois se for eleito da próxima vez não será uma facada, mas sim a queda de um avião ou helicóptero presidencial, abrindo espaço para o vice assumir.
Com isto, apesar de recuperado, Bolsonaro praticamente sai da campanha, deixando a possibilidade de ser eleito cada vez mais distante, mas conserva a condição de sobreviver e voltar a sua aposentadoria como deputado federal.
Uma bela teoria da conspiração que foi abortada, pode até não ser verdade, mas dá uma boa série de TV.